CORTE DO NORTE

EuroSteamCon

EuroSteamCon

Em 2011, Marcus Rauchfuss criou uma convenção steampunk com um conceito no mínimo original–um evento que ocorreria simultaneamente por toda a Europa, chamando a atenção para as potencialidades do steampunk e, ao mesmo tempo, criando uma ligação mais próxima entre os seus fãs. Chamou-lhe EuroSteamCon, e não teve de esperar muito até conquistar interesse em países como a Áustria, Alemanha, Croácia, Espanha, França, Hungria, Reino Unido, República Checa e Suécia. Portugal juntou-se ao projecto em 2012 e 2013, pela mão da Clockwork Portugal–e em 2015, foi a vez da Corte do Norte.

Foi com orgulho que apresentámos, a 3 e 4 de Outubro de 2015, a terceira edição da EuroSteamCon Portugal. O evento realizou-se na Casa Barbot, em Vila Nova de Gaia, e contou com uma programação variada: falámos de literatura e cinema, oferecemos livros e jogos, e acima de tudo, apreciámos a companhia e criatividade de todos os que se juntaram a nós.

EuroSteamCon Portugal 2015

Dirigível em exposição no Palácio de Cristal

Steampunk no Porto?

Corria o ano de 1865 quando o Rei D. Luís I inaugurou o Palacio de Crystal Portuense, desenhado pelo arquitecto inglês Thomas Dillen Jones à semelhança do Crystal Palace Londrino. Nesta edificação de granito, ferro e vidro, decorreria a primeira Exposição Internacional Portuguesa, um evento destinado à actualização científica e tecnológica que contaria com um sem-fim de inovações, nacionais e não só.

A realidade trouxe ao Porto “concertinas inglezas”, “vistas stereoscopicas”, “rewolvers” e “estojos de mathematica”, mas não é difícil imaginar uma alternativa ficcional em que os visitantes tenham experimentado protótipos de aviação (talvez semelhantes ao curioso Avion III… mas funcionais), mordomos mecanizados, entre tantas outras possibilidades.

O steampunk anglo-saxónico pode evocar uma Londres marcada pelos fumos do progresso industrial, ou um Oeste Americano rasgado por caminhos-de-ferro infestados de bandidos, mas nada impediria um luso-steampunk de exagerar os nossos próprios cenários – não é difícil imaginar uma Torre dos Clérigos melhorada (Nasoni discordaria, decerto) com a adição de um pitoresco elevador a vapor, ou um cais de Gaia alterado pela actividade de gigantescos complexos industriais e metalúrgicos. Por que não uma Livraria Lello tomada de assalto por acesos debates sociais, numa época em que as jovens Portuenses decidem abandonar os noivos para ir pilotar dirigíveis pela Europa fora?

A cidade do Porto é rebelde, audaz, inovadora. Deu nome a Portugal, mas ao mesmo tempo corre-lhe nas veias o legado Inglês. Procura o futuro, mas não esquece o seu passado. É retrofuturista, um pouco como o próprio steampunk.