A Corte do Norte

Somos um grupo de pessoas que tem experiência individual em participação e voluntariado de eventos, e está agora a estrear-se na organização colectiva de um evento, a EuroSteamCon 2015 de Portugal. Entre os nossos membros contamos com escritores, músicos, designers, costureiros, roleplayers, e claro, aficionados pelo género steampunk.

Steampunk no Porto?

Dirigível em exposição na nave central do antigo palácio de Cristal.

Corria o ano de 1865 quando o Rei D. Luís I inaugurou o Palacio de Crystal Portuense, desenhado pelo arquitecto inglês Thomas Dillen Jones à semelhança do Crystal Palace Londrino. Nesta edificação de granito, ferro e vidro, decorreria a primeira Exposição Internacional Portuguesa, um evento destinado à actualização científica e tecnológica que contaria com um sem-fim de inovações, nacionais e não só.

A realidade trouxe ao Porto “concertinas inglezas”, “vistas stereoscopicas”, “rewolvers” e “estojos de mathematica”, mas não é difícil imaginar uma alternativa ficcional em que os visitantes tenham experimentado protótipos de aviação (talvez semelhantes ao curioso Avion III… mas funcionais), mordomos mecanizados, ou até mesmo vibradores a vapor (ou não fossem estes, afinal, populares na Inglaterra Vitoriana para o alívio das enfermidades femininas).

O steampunk anglo-saxónico, pode evocar uma Londres marcada pelos fumos do progresso industrial, ou um Oeste Americano rasgado por caminhos-de-ferro infestados de bandidos, mas nada impediria um luso-steampunk de exagerar os nossos próprios cenários – não é difícil imaginar uma Torre dos Clérigos melhorada (Nasoni discordaria, decerto) com a adição de um pitoresco elevador a vapor, ou um cais de Gaia alterado pela actividade de gigantescos complexos industriais e metalúrgicos. Por que não uma Livraria Lello tomada de assalto por acesos debates sociais, numa época em que as jovens Portuenses decidem abandonar os noivos para ir pilotar dirigíveis pela Europa fora?

A cidade do Porto é rebelde, audaz, inovadora. Deu nome a Portugal, mas ao mesmo tempo corre-lhe nas veias o legado Inglês. Procura o futuro, mas não esquece o seu passado. É retrofuturista, um pouco como o evento que nos propomos a organizar.